domingo, 10 de março de 2019

Ferryboat Agenor Gordilho será afundado para virar atração turística

Foram 45 anos servindo à travessia Salvador-Itaparica e levando em cada viagem até 600 passageiros e 90 veículos. Depois de anos de serviço e parado desde o final de 2017, o ferry-boat Agenor Gordilho vai ganhar uma nova função. Está previsto para o segundo trimestre deste ano o naufrágio controlado da embarcação, que passará a servir de atração para o turismo de mergulho. 

Segundo informações da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba), responsável pela fiscalização do serviço, a vida útil de embarcações como a Agenor Gordilho gira em torno de 30 anos. Portanto, diante da idade do barco e do custo benefício de uma recuperação, a reforma não era indicada. Desta forma, o Governo do Estado decidiu atribuir função turística ao ferry, que havia passado por uma reforma de cerca de R$ 5 milhões em 2013.

Meio ambiente

A nova atração deve naufragar na própria Baía de Todos-os-Santos até o meio deste ano, mas os estudos para a realização do afundamento já estão acontecendo desde setembro de 2018. Hoje, o Estado aguarda licença ambiental do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). 

O ferry, que se encontra no terminal marítimo de Bom Despacho, em Itaparica, está em fase final de preparação para o procedimento. Isso inclui a retirada de peças que possam representar riscos aos mergulhadores, bem como de todo material potencialmente tóxico, evitando a contaminação do meio ambiente. Antes do afundamento, a embarcação será vistoriada. Equipes da Marinha e de órgãos ambientais também realizarão inspeções, segundo informações da Secretaria de Turismo do Estado da Bahia (Setur).


Para a professora do Instituto de Química da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Tânia Tavares, toda preocupação com a preparação do barco para o naufrágio deve visar a proteção do meio ambiente.

“A embarcação precisa estar livre de combustível, com os tanques limpos, por exemplo. Não pode haver esse tipo de material e é preciso estudar o local para que tenha profundidade suficiente”, Tânia Tavares, professora da UFBA.  

Segundo a professora, se estes cuidados forem tomados, o naufrágio controlado não é prejudicial ao meio ambiente, desde que ocorra de maneira pontual. O que não pode acontecer é o afundamento de diversas embarcações numa mesma região “Se forem muitas, o equilíbrio ambiental pode ser quebrado, possivelmente diminuir a biodiversidade, afetar as cadeias alimentares. Não há como prever exatamente”, esclarece.

Investimento

Para realizar todo o processo do naufrágio, a Setur contratou uma empresa do Espírito Santo, especializada nesse tipo de serviço. O contrato, no valor de R$ 410 mil, prevê que a empresa atue na realização de estudos prévios de localização e de impactos ambientais do naufrágio, no processo de afundamento e no posterior monitoramento ambiental e obtenção de liberação para o turismo de mergulho. Com o valor investido, o Governo do Estado pode naufragar até três embarcações.

O investimento do estado no setor de turismo náutico e de mergulho, segundo a Setur, visa manter a Bahia alinhada com um dos principais focos do Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur). A ideia é oferecer infraestrutura, como marinas e bases náuticas, na Baia de Todos-os-Santos.

“O trabalho vai proporcionar maior visibilidade para a Baía de Todos-os-Santos, intensificando o turismo náutico e o turismo de mergulho, atrativos com potencial para atrair visitantes de todo o mundo, com alto poder aquisitivo para movimentar a economia na zona turística”, explica o subsecretário estadual do Turismo, Benedito Braga.

Turismo

Para conhecer a história de Salvador através de navios naufragados não é preciso nem mesmo ter experiência prévia em mergulho. Os curiosos que desejam experimentar a aventura de mergulhar em navios afundados, mas nunca praticaram a modalidade tem quatro opções diferentes. E não é preciso nem ir muito longe, na região entre as praias do Porto e do Farol da Barra já é possível encontrar naufrágios visitáveis. É o caso do navio Reliance, que naufragou no século XIX e se encontra próximo ao Cristo, na Barra.

Segundo explica a mergulhadora Fernanda Fernandes, da escola e operadora de mergulho Galeão Sacramento, aqueles que não tem qualquer experiência de mergulho podem realizar o chamado ‘batismo’. O primeiro passeio submerso de um turista curioso pode ir até dez metros de profundidade. No caso da embarcação no Cristo, é possível chegar até nove. 

Para mergulhos mais profundos, é preciso experiência prévia comprovada através de curso. O curso certifica até que profundidade aquele mergulhador pode chegar. Os mergulhadores mais experientes têm, segundo a escola, mais cinco opções de embarcação para conhecer. Investir em um mergulho embarcado, para conhecer um barco naufragado custa R$ 350 na escola de mergulho, valor que cobre o passeio em dois locais diferentes. 

Para Fernanda, as expectativas são as melhores com a nova atração a ser adicionada à lista de sítios de mergulho. “Nós tínhamos um naufrágio muito famoso e muito visitado, mas ele foi engolido por um banco de areia e não é possível ver mais nada. Esperamos que essa nova embarcação volte a trazer turistas para mergulhar em Salvador”, disse.  

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