segunda-feira, 29 de junho de 2020

Prefeito diz que Salvador atingiu platô de casos de Covid-19 e aponta 80% de ocupação nos leitos de UTI: “Taxa muito alta”


Salvador é a cidade com o maior número de casos de Covid-19 na Bahia. Segundo dados do boletim da Secretaria de Saúde do Estado (Sesab), a capital baiana registra, do início da pandemia até o último domingo (29), 32.332 pessoas contaminadas com a doença, o que representa 47% do total de toda a Bahia.

Na manhã desta segunda-feira (29), o prefeito ACM Neto comentou os números do coronvaírus na cidade, afirmou que os dados indicam um platô e apontou que a taxa de ocupação dos leitos de UTI segue elevada.

“Sempre falei que o pico de casos viria em junho. Esse pico gera um platô. Não chega e sai dele na mesma hora. Estamos no platô, vivendo esse período mais crítico, ainda não começamos o movimento de queda. Estabilizamos lá em cima”, avaliou.

“Em relação à taxa de ocupação, fechamos ontem (domingo, 28) com 75% de leitos clínicos e 80% dos leitos de UTI. Na rede particular, temos 76% de ocupação. Taxa muito alta ainda, mas está estável. É alta, mas não vem oscilando muito. Há a perspectiva de termos, ao longo dos próximos dias, 20 novos leitos no Hospital Salvador e 20 leitos na Fonte Nova. Isso pode fazer a taxa cair para menos de 80%”, completou o prefeito.

ACM Neto ponderou, contudo, que as prefeituras do interior do estado também precisam fazer movimentos para abrir novos leitos. O prefeito explicou que muitas pessoas são transferidas para a capital baiana para receber atendimento médico adequado, o que mantém a taxa de ocupação elevada, mesmo com as medidas de combate ao coronavírus adotadas na cidade.

“Tenho que chamar a atenção dos municípios do interior. Não adianta baixar a taxa aqui e o interior seguir mandando paciente. A taxa nunca vai baixar. Tem a decisão de encaminhar boa parte dos pacientes do interior para Salvador, não me oponho a isso, mas os prefeitos do interior, principalmente de cidades próximas, precisam fazer um esforço também”, comentou.

Dos 32.332 casos registrados em Salvador, 9.954 são considerados ativos, ou seja, ainda demandam cuidados. A capital baiana registrou 1.093 mortes em decorrência da doença.

Orla da Barra e “guerra de espadas”
O último fim de semana foi o primeiro após a liberação da orla da Barra, que passou por interdição após registro de aglomerações de pessoas. O prefeito elogiou a ação de fiscalização realizada na região, que permitiu apenas o acesso de pessoas com máscaras.

“Havia, na semana passada, anunciado esse novo funcionamento da orla, com fiscalização, regras de distanciamento, regras de mobilidade, de acesso. O planejamento foi feito pela Guarda Municipal e a execução também, com o apoio de outros órgãos. Ontem tivemos um domingo exemplar”, analisou.

“Em três domingos consecutivos, tivemos um de aglomeração, outro de interdição completa e ontem um domingo onde as pessoas puderam usar a orla, fazer atividades físicas, sem que isso processe risco de disseminação do coronavírus. A operação que montamos deu certo”, concluiu.

Enquanto a Barra registrou um fim de semana sem problemas, outras localidades passaram por problemas. Em Periperi e Nova Brasília de Itapuã, houve “guerra de espadas” nos últimos dias.

“As ações estão sendo adotadas. Estamos com efeito máximo nas ruas. Temos feito dezenas de interdições, dezenas de operações de desmonte de festas, de aglomerações, apreensão de sons de paredão, de carros com som alto na rua. Desses dias todos, os dias mais complicados foram os dias 23 e ontem. Sabemos que alguns lugares possuem tradição de fazer festa junina, por isso realizamos interdições e apreensões. Estamos na capacidade máxima, mas algumas pessoas não têm consciência. Insistem em festas, guerra de espadas. A cidade é muito grande, o que posso assegurar é que não vamos parar. As equipes seguirão mobilizadas”, comentou o prefeito.

Para evitar aglomerações, ACM Neto afirmou que não haverá desfile do Dois de Julho neste ano. O prefeito e o governador deverão realizar um evento simbólico para homenagear a data, mas sem presença de público.

“Não haverá desfile no Dois de Julho. A Fundação Gregório de Matos chegou a sugerir que o caboclo desfilasse, mas não concordei. Achei que poderia trazer risco, mesmo de os moradores do centro histórico saírem para as sacadas, algumas pessoas saírem para o percurso”, disse.

“O que vai ocorrer é um ato pela manhã, com minha presença e a do governador, faremos o hasteamento das bandeiras e a reposição de flores na Lapinha. Será proibido o acesso de pessoas. Como principais autoridades do estado, prestaremos esse gesto simbólico para que o Dois de Julho seja lembrado, para que cada um possa homenagear nossa história em seu íntimo”, concluiu. (G1/Ba)

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