terça-feira, 21 de julho de 2020

Justiça determina prisão preventiva de suspeito de provocar queda de médica de 5º andar de prédio em Salvador


A Justiça converteu em preventiva a prisão do companheiro da médica que caiu do quinto andar de um prédio no bairro de Armação, em Salvador, na segunda-feira (20), um dia após ele ser preso em flagrante, por tentativa de feminícidio. A conversão da pena foi confirmada ao G1 nesta terça-feira (21).

Também nesta terça, a família disse que o estado da mulher é considerado gravíssimo. Ela está internada no Hospital Geral do estado (HGE), onde passou por cirurgia.

Segundo a Justiça, a conversão da prisão para preventiva ocorreu, entre outros motivos, para manter a ordem pública, além de prevenir possível perigo gerado pelo “estado de liberdade do imputado”.

A decisão pontuou ainda que durante o interrogatório, o homem, que também é médico, não revelou detalhes concretos de uma possível tentativa de suicídio por parte da vítima e fez uma “narrativa desconexa, evasiva e sem conteúdo”. E que o interrogatório está recheado de faltas de justificativas e relatos da dinâmica do casal.

Além disso, a decisão ainda revelou que, apesar de dizer que era apaixonado pela mulher durante depoimentos, o homem nada fez e “inerte ficou até ocorrer o fato”

O caso ocorreu na Rua Rodrigues Doria, por volta de 1h20 da segunda. Vizinhos do casal disseram que a médica, identificada como Sáttia Lorena Patrocínio Aleixo, caiu do prédio após uma discussão com o companheiro.

Na ocasião, o homem foi encaminhado para a Delegacia Especial de Atendimento a Mulher (Deam), onde a ocorrência foi registrada.

Segundo a delegada Bianca Torres, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) do Engenho Velho de Brotas, onde o caso é investigado, o médico nega ter empurrado a companheira. Ele teria dito que a mulher sofria de depressão e se jogou do prédio. O casal está junto há um ano e foi morar no aparamento há seis meses.

Em entrevista ao G1 nesta terça, Anderson Moreira, primo de Sattia, negou a afirmação do homem e disse que a prima não tinha histórico de depressão.

“É muito estranho tudo o que aconteceu e tudo que está acontecendo. Ela não era depressiva. Ela não faria isso. Olha o histórico dela. É uma mulher bonita, 27 anos, médica, tem apartamento, carro próprio. Como é que ela poderia se jogar?”, disse.

Ele contou também que o relacionamento dois dois era tóxico, e que o homem não deixava a médica ter redes sociais na internet.

“A relação deles sempre foi muito conturbada. Era um relacionamento muito possessivo. Muito tóxico. Aí eu faço a pergunta: ‘Hoje em dia, quem é que não tem um instagram?’ Até cachorro tem instagram, mas ela não tinha. ‘Por que ela não tinha?’ Isso reforça justamente essa possessividade dele. Esse controle”, completou.

Ainda de acordo com a delegada Bianca Torres, um homem que mora no 4° andar do prédio onde o casal vive disse, em depoimento, que acordou com a discussão dos vizinhos. Ele contou que tentou conversar com a mulher pela janela, quando percebeu que a médica estava apoiada no parapeito e viu que o companheiro segurava as mãos delas, mas que a mulher dizia que não tinha mais forças.

A família de Sáttia divulgou uma nota nesta terça-feira, na qual agradece às orações, doações de sangue e a atenção da imprensa. O documento ainda diz que eles confiam na justiça.

“A família da Dra. Sáttia Loreno Patrocínio Aleixo vem a público agradece e pedir mais orações para ela. Agradecer, também, pelas doações de sangue realizadas, pela atenção da mídia impressa e televisiva, gratidão à pessoas e amigos nas redes sociais e da sociedade como um todo nesse momento tão doloroso. E informamos que, por estarmos, ainda, em estado de choque, nos manifestaremos sobre o ocorrido por meio do nosso advogado hoje, às 16:00h e que confiamos na Justiça divina e dos homens”.

De acordo com Gamil Föppel, advogado do suspeito, o cliente disse que tentava a separação, e que Sáttia tentou agredir ele e se jogar pela janela da sala. Como não conseguiu, foi para o quarto, onde tudo aconteceu.

“A pessoa avisa, pede para que não faça, chama a polícia, chama o Samu e presta o socorro. Não é minimamente razoável aceitar, nem mesmo em tese, a ideia de que ele praticou a tentativa de homicídio”, disse o advogado.

Por meio de nota nesta terça, a Polícia Civil disse que as investigações sobre caso continuam em curso.

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