segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Pela primeira vez em 35 anos, PT não vence a prefeitura de nenhuma capital



O ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva chega para votar em uma seção eleitoral durante as eleições municipais em São Bernardo do Campo, Brasil, 15 de novembro de 2020. REUTERS / Amanda Perobelli eleição - eleições - eleições municipais

Ex-presidente Lula vota em São Bernardo do Campo no primeiro turno: partido perdeu relevância (Amanda Perobelli/Reuters)

O PT chegou no segundo turno das eleições municipais de 2020 disputando três capitais, mas não levou nenhuma. Com a derrota de Marília Arraes no Recife e João Coser em Vitória, o PT termina as eleições 2020 sem comandar, pela primeira vez na história, uma capital do país.

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No segundo turno, o PT levou a prefeitura de quatro das 15 cidades que disputou. O partido ganhou as prefeituras de Diadema e Mauá, na região metropolitana de São Paulo, e os municípios de Contagem e Juiz de Fora, em Minas Gerais.

Os resultados mostram a ascensão e queda do partido que ganhou pela primeira vez uma prefeitura no país em 1985, com a vitória de Maria Luiza Fontenele, em Fortaleza. O ápice da trajetória do partido ocorreu em 2004, quando emplacou prefeitos em nove capitais. Já nas eleições de 2016, o PT ganhou apenas em Rio Branco, no Acre, com a reeleição de Marcus Alexandre.

O partido levou 183 prefeituras nas eleições deste ano. Em 2016, foram 254 cidades em que a legenda foi vitoriosa e, em 2012, 638. Ou seja, o PT conseguiu fazer menos de um terço do número de prefeituras que conquistou oito anos atrás.

“O PT perde musculatura e terá de ser bem mais flexível em 2022 para compor chapas estaduais e, eventualmente, nacional”, diz Maurício Moura, fundador do Ideia, instituto de pesquisa especializado em opinião pública.

O impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e os 19 meses que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou na prisão em decorrência de condenações de primeira instância no âmbito da Operação Lava-Jato foram decisivos para minar o capital político angariado pela legenda ao longo de mais três décadas.

A esquerda no Nordeste

Os melhores desempenhos da esqueda nas capitais nestas eleições foram do PSB, PDT e PSOL – a maioria no Nordeste. As prefeituras de Recife e Maceió ficaram com o PSB, enquanto o PDT levou Fortaleza e Aracaju.

O PSOL ganhou em Belém, com Edmilson Coutinho, e fortaleceu o nome de Guilherme Boulos no cenário nacional, ainda que o candidato tenha perdido a prefeitura de São Paulo. O psolista recebeu 2,2 milhões de votos na capital paulista e teve 40,6% dos votos válidos.

“As urnas de 2020 mostram uma esquerda brasileira mais diluída entre PSB, PDT e PSOL”, diz Moura, do Ideia.

(exame)

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