terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Vacina de Oxford contra Covid é a 1ª a ter estudo da fase 3 de testes publicado em revista científica



A vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca tornou-se, nesta terça-feira (8), a primeira a ter resultados preliminares de fase 3 de testes divulgados por uma revista científica. Os dados foram publicados na “The Lancet”, uma das mais importantes do mundo.

Os dados, que ainda são preliminares(porque os testes ainda não acabaram), já haviam sido divulgados em novembro: a vacina mostrou eficácia média de 70,4%, com até 90% de eficácia no grupo que tomou a dose menor.

Na prática, se uma vacina tem 90% de eficácia, isso significa dizer que 90% das pessoas que tomam a vacina ficam protegidas contra aquela doença.

A publicação em revista científica significa que os dados dos testes foram revisados por outros cientistas e validados. Não quer dizer que a vacina de Oxford será aplicada imediatamente na população em geral.

Para isso, ela ainda precisa ser aprovada pelos órgãos reguladores – no Brasil, esse órgão é a Anvisa; no Reino Unido, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA, na sigla em inglês).

Previsão para o Brasil

A vacina de Oxford é uma das quatro que estão sendo testadas no Brasil: 30 milhões de doses devem ser entregues até o fim de fevereiro; outras 70 milhões, até julho. A previsão é que mais 110 milhões de doses sejam produzidas no segundo semestre de 2021.

Nesta terça-feira, durante reunião com governadores, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que previsão é de que registro da vacina de Oxford esteja pronto no fim de fevereiro.

Nesta terça, os britânicos começaram a imunização contra a Covid-19 com a vacina desenvolvida pela Pfizer, que foi aprovada na semana passada.

Destaques do anúncio de Oxford

A análise de eficácia foi feita de forma conjunta e considera dados de ensaios no Reino Unido e no Brasil.

A vacina foi segura e eficaz contra a doença, sem internações ou casos graves de Covid-19 nos grupos vacinados. Nos grupos que não receberam a vacina, houve 2 casos graves de Covid-19 e uma morte.

A vacina teve 90% de eficácia quando administrada em meia dose seguida de uma dose completa com intervalo de pelo menos um mês, de acordo com dados de testes no Reino Unido.

Quando administrada em 2 doses completas, a eficácia foi de 62%.

A análise que considerou os dois tipos de dosagem indicou uma eficácia média de 70,4%.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores analisaram os dados de 11.636 pessoas vacinadas. Dessas, 8.895 receberam as duas doses completas, e 2.741 receberam a meia dose seguida de uma dose completa. (Veja detalhes da distribuição dos casos de Covid-19 mais abaixo).

Cerca de 88% dos voluntários analisados (10.218) tinha de 18 a 55 anos de idade.

Nenhum participante com 56 anos de idade ou mais recebeu a meia dose seguida da dose completa, que tiveram maior eficácia (veja detalhes mais abaixo).

A eficácia da vacina nos participantes acima de 56 anos não foi avaliada, mas será determinada em análises futuras.

Pesquisadores investigam o potencial da vacina para prevenir casos assintomáticos da Covid-19. (G1)

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